Esta é a pergunta que não quer calar
Imaginávamos que em algum momento a publicação de
Playboy poderia ser descontinuada, porque esse parece ser mesmo o destino de todas as revistas, o fim, só não sabíamos que o seu destino já está em pauta, e essa decisão, de continuar ou não, está sendo tomada agora pela Abril, que anunciou reestruturação de todo o grupo, como informa
esta nota que saiu no
Estadão. Entre a compactação do número de unidades de negócios e corte no quadro de funcionários, está prevista a extinção de onze títulos, com Playboy incluída, obviamente.
A nota cita mais duas revistas que provavelmente deixarão de circular além de Playboy, que são a
Contigo! e a
Capricho. De início, permaneci descrente à notícia, pois, mesmo em meio à crise editorial, são três títulos fortes da editora, que merecem, ao menos, serem reestruturados - tirá-los de circulação parece uma medida extremista e precipitada.
Contigo! e
Capricho, inclusive, têm, cada uma, um público-alvo bastante expressivo, têm demanda e, aparentemente, não são revistas que requerem um orçamento altíssimo para serem produzidas. O buraco é mais embaixo mesmo com a Playboy, que lida com o público masculino que, de um modo geral, não tem apego por revista e ainda trava uma batalha injusta com a internet. Cada capa é uma aposta, apostas altas não correspondem às expectativas, e com capas inexpressivas o público não consome, e o resultado disso é o seu declínio vertiginoso em vendas e desaprovação generalizada.
O site
Brasil 247, que destacou os principais motivos que fizeram Playboy adoecer, afirma que teremos a informação se Playboy fecha ou não nesta segunda-feira, 10. Também diz que seu incerto futuro será decidido pela simples questão de contabilidade (menos receita, mais despesas), e os irmãos Civita não estão dispostos a manter as aparências por lá, afinal, a crise está mais que explícita. E há quem diga que agora, sem o protecionismo de Roberto Civita, a possibilidade do descontinuamento é aumentada em 100%.
A notícia também foi comentada por Marcelo Rubens Paiva, colunista do
Estadão, figura que já esteve presente em diversos momentos em Playboy, em
um texto bastante agressivo relacionado à queda de qualidade da revista, e muito insensato no que diz respeito às mulheres, deixando de contextualizar os diferentes momentos do cenário pop brasileiro - ele simplifica o tema como se a presença menos constante de grandes estrelas fosse apenas uma decisão editorial de se render ao popularesco.
Desde que o
Estadão deu a nota, concentrei-me em acompanhar a repercussão em fóruns e espaço de comentários dos sites que reproduziram a informação. Ficou claro o quanto o brasileiro tem uma relação de afeto com a revista, como a considera um patrimônio nacional, e mesmo aqueles que não consomem têm uma visão positiva dela, da exaltação da beleza e do requinte fotográfico.
Playboy está tão cristalizada na cultura brasileira que imaginar seu fim é difícil. Aí a gente começa a pensar na possibilidade de o título ser cuidado por outra editora, se Hugh Hefner seria capaz de interferir em prol da continuação da segunda maior Playboy do mundo. Muitas dúvidas, algumas possibilidades. Nós, neste momento, só pode ressentir que a situação tenha chegado nesse nível.
*Agradeço a todos que me mandaram e-mails com links sobre o tema. Obrigado!